Quem bate? Atrito entre Henrique Dourado e Bruno Rodrigues no Cruzeiro expõe dilema sobre definição do cobrador de pênaltis de uma equipe

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A confusão que cercou a cobrança de pênalti a favor do Cruzeiro durante a partida com o Fluminense na última quarta-feira (10) chamou atenção na quinta rodada do Campeonato Brasileiro. O atacante Henrique Dourado quis partir para a marca de cal, após Bruno Rodrigues ter desperdiçado a primeira cobrança.

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  • A situação não chega a ser inédita no futebol, mas rende discussões sobre como tem de ser definido o cobrador oficial. Após a discussão, Bruno Rodrigues partiu para a cobrança novamente, só que a bola carimbou a trave e foi para fora. A equipe celeste perdeu por 2 a 0 para o Fluminense.

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    EX-JOGADOR DA ‘CORTE VASCAÍNA’ RECORDA IMBRÓGLIO

    Um dos episódios mais marcantes do futebol brasileiro aconteceu no Campeonato Carioca de 2000. O Vasco enfrentava o Bangu em São Januário quando o árbitro marcou pênalti para a equipe cruz-maltina.

    Edmundo inicialmente se encaminhou para a bola, mas Romário afirmou que iria fazer a cobrança. Na marca de cal, porém, o Baixinho mandou na trave.

    Titular do Cruz-Maltino naquele confronto, Alex Oliveira recordou como era a orientação em relação a batedores e a situação que ocorreu na Colina.

    – Essa questão sempre foi definida pelo treinador. É claro que havia uma liberdade para quem estava bem no jogo querer partir para a cobrança, mas tinha de passar pela determinação do técnico. Nesse jogo em questão, eu tinha sofrido o pênalti. O batedor oficial era o Edmundo e aí o Romário decidiu que iria cobrar. Aí, o resto é história… – disse ao LANCE!.

    No finzinho do primeiro tempo, Edmundo abriu o placar. Ao ser perguntado pelo repórter da Rede Globo no intervalo em relação ao pênalti, Edmundo disse: “o homem lá mandou e é o príncipe quem manda”. Alex Oliveira e Pedrinho garantiram a vitória por 3 a 0. Após o jogo, Edmundo disse que o “rei” era o então vice de futebol Eurico Miranda.

    No dia 29 de março, o Vasco venceu o Olaria por 4 a 1 e Romário marcou três gols, encostando na artilharia do Campeonato Carioca. O Baixinho não mediu palavras ao falar sobre o assunto:

    – A Corte agora está toda feliz: o rei, o príncipe e o bobo!

    + Henrique Dourado e Bruno Rodrigues discutem em pênalti: relembre companheiros que protagonizaram tretas

    Alex Oliveira opina sobre este período que tinha como dupla de ataque Romário e Edmundo.

    – Por incrível que pareça, essa disputa entre eles se tornava positiva para nós. A cada jogo, Edmundo e o Romário disputavam para ver quem ia jogar melhor – disse.

    ‘ENTENDO O LADO DO HENRIQUE, MAS A SITUAÇÃO FICOU DESAJUSTADA’

    Cobrador de pênaltis e faltas, campeão da Supercopa Libertadores de 1992 e da Copa do Brasil de 1993 pelo Cruzeiro, Paulo Roberto Costa também lembrou-se como era a orientação em momentos decisivos.

    – A ordem era de designar a cobrança para o batedor oficial caso o atleta estivesse jogando. O oficial é quem treina melhor. Eu era o batedor oficial e treinava mais. Só mesmo se eu não estivesse bem fisicamente ou psicologicamente, passava para o segundo melhor batedor e assim sucessivamente – afirmou.

    O lateral-direito opinou sobre o que aconteceu durante a partida no Mineirão

    – Tem que ter uma hierarquia e ser respeitada. O Bruno Rodrigues era o batedor oficial e, se o árbitro mandou repetir, ele naturalmente tinha de ir, a não ser que estivesse sentindo algum problema. A princípio, o atacante estava com a personalidade de bater novamente o pênalti, mas como aconteceu aquela confusão toda com o Henrique Dourado, o Bruno Rodrigues foi para a bola bem nervoso. Aquilo o abalou muito psicologicamente – constatou.

    TREINADORES OPINAM SOBRE O EPISÓDIO NO MINEIRÃO

    Treinador do Cruzeiro nos títulos do Mineiro de 1987 e da Supercopa Libertadores de 1992, Jair Pereira contou como definia o cobrador de pênalti em suas equipes.

    – Normalmente quem bate é o que treina. Às vezes treinam até dois ou três. Inclusive, mesmo que o cobrador tenha desperdiçado o primeiro pênalti – e, em seguida, detalhou:

    – Sempre treinei cobranças de pênalti nos meus times. Por isso que na maioria dos jogos saíamos de campo vencedores. Após a atividade do dia, os atletas iam para a marca de cal e cada um só era liberado se fizesse o gol. Quando acaba o treino, todo mundo quer ir embora, né?! Às vezes na preleção eu aconselhava em qual canto ia bater – completou.

    Aos seus olhos, a situação que aconteceu na equipe celeste afetou Bruno Rodrigues.

    – Não só ficou desagradável, mas a discussão atrapalhou o emocional do cobrador de pênalti (Bruno Rodrigues). Em um caso como esses, no qual outro jogador queria bater um pênalti, geralmente eu pedia para o meu atleta olhar para mim e aí eu dizia o que fazer – recordou-se.

    Jair Pereira ainda se queixou da impressão que ficou em torno do Cruzeiro.

    – Ficou desagradável. Deu a impressão de que a equipe está desordenada. E você vê que o Cruzeiro tem um bom treinador, um time que está certinho… – disse.

    Treinador campeão brasileiro pelo Cruzeiro em 2013 e 2014, Marcelo Oliveira destacou que é metódico em relação a pênaltis.

    – Tenho como hábito treinar pênaltis todos os dias para gerar confiança nos jogos ou nas eventuais disputas de pênaltis – disse.

    Porém, há uma definição específica quanto a batedor oficial.

    – Na preleção antes dos jogos eu indico os três que vão bater em uma ordem de aproveitamento nos treinos. Justamente para acontecer o que não aconteceu – afirmou, em referência ao que aconteceu na partida do Cruzeiro no Mineirão.

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